segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Construindo um ponto-de-vista.

Construindo um ponto-de-vista

Na crônica anterior, eu propus cautela na hora de defendermos ou criticarmos um ponto-de-vista. Continuo acreditando que não podemos construir um entendimento sem compararmos opiniões divergentes ou congruentes às nossas. Esse princípio básico eleva a nossa possibilidade de acerto e faz com que nosso posicionamento acerca de um determinado tema ganhe reforço do juízo coletivo, refletindo, em parte, a opinião do grupo. Para que isso flua de forma mais proveitosa e inteligente, necessário se faz que todos nós estejamos dispostos ao diálogo.

Nesse segundo momento, quero chamar à atenção dos colegas para a necessidade de refletirmos sobre uma possível construção de uma situação diferente da que estamos vivenciando. Indubitavelmente, esse será o nosso grande desafio (se posto ele for): o de estabelecer mudanças ou de insistir com o panorama vigente. Isso não é fácil, mas nem por isso impossível. Aprendemos todos os dias a tomar decisões que influenciam diretamente no nosso cotidiano; algumas delas ganhando amplitude capaz de interferir decisivamente em outras decisões. Assim sendo, passaremos a analisar suposições e nos situarmos num campo de possibilidades, somente para compreendermos o tamanho do desafio que teremos que enfrentar. Não estou sendo incoerente com minha primeira crônica, onde eu chamo à atenção para falta de elementos fundamentais que possam permear o debate. Permanece, sim, a carência de dados oficiais; a falta de uma proposta concreta; e de algo que possa nos conduzir a um debate voltado para alguma coisa real. Porém, não vejo mal nenhum em analisarmos, não o fato – já que nada está proposto -, a forma que alguns argumentos estão sendo ventilados, por colegas das mais diversas correntes de pensamento.

Eu tive a oportunidade de conhecer diversas opiniões, tanto de um lado quanto do outro. Entretanto, ainda me preocupa a falta de convicção com que certos posicionamentos continuam sendo defendidos. Tenho a impressão de que alguns cuidados básicos na análise da questão não estão sendo devidamente observados. Por exemplo: se nos propusermos a encontrar um entendimento sobre determinada matéria, certamente teremos que nos afastar do ponto de observação, objetivando, assim, ganháramos uma visão mais ampla do desconhecido ou do questionável e, então, podermos refletir com imparcialidade sobre as justificativas diversas apresentadas. E isso tem sido um ponto de negligência observado constantemente nas conversas travadas por alguns colegas ASPs. Gente, ninguém consegue construir um entendimento sem comparar seu juízo de valor com outras opiniões. O radicalismo é um instrumento perigoso. As pessoas que não se permitem ser questionadas cometem o grave erro de acharem que são as únicas corretas. Vamos nos permitir ser criticados; vamos aceitar que outras vozes se levantem. Quando alguém mostra uma visão diferente da nossa, ela nos presenteia com a possibilidade de afirmarmos ou de modificarmos nossa verdade. No entanto, desse conflito emergirá uma realidade mais forte do que aquela que dizíamos acreditar, pois será o resultado de comparações e de composições com diversas correntes de entendimento.

Outro ponto que me parece carente de um comentário é aquele sobre a idolatria ao passado. Algumas pessoas se atêm à conquista da folga de 04 (quatro) dias, por um de trabalho, para justificar seu posicionamento no debate. Ora, ninguém tem o direito de negar que isso foi uma grande vitória. As pessoas envolvidas nessa batalha certamente não devem ser esquecidas ou desprestigiadas. Se não fosse essa conquista, hoje nós não teríamos nada para negociar com o Governo. Essa folga é moeda de troca; é o único trunfo que temos para sentar à mesa de negociação. Portanto, só devemos abrir mão dessa conquista se os benefícios oferecidos em troca forem satisfatórios. Agora não podemos nos permitir lutar por uma folga elástica para nela introduzirmos mais trabalho. Isso sim é uma grande e irresponsável incoerência. O que tenho percebido é que não há (pelo menos não conheço) um ASP que trabalhe um plantão e fique quatro dias em casa, descansando. Os colegas podem até se defender, alegando que o “pluri”, por exemplo, é opcional; porém não consigo visualizar ninguém em condições de abrir mão dessa jornada escravista, a qual o Estado denomina de pluri-emprego; e se isso acontece é em detrimento de uma outra escravatura (virações, por exemplo). Inúmeros colegas usam os dias de folga conquistados para fazerem o popular “bico”. Pelo salário que nos pagam, isso é perfeitamente compreensivo. No entanto, é preciso, primeiramente, entender que somos seres humanos e que temos um ciclo natural de vida. NÓS ENVELHECEMOS, e isso é inevitável; é um fato incontestável. Colegas que hoje têm uma, duas e até três “virações”, um dia perceberão que suas habilidades - tão inerentes aos jovens - se esvaíram. Quando o corpo sentir o cansaço do tempo, a capacidade de executar diversas tarefas será reduzida, até se limitar à execução deficitária de sua atividade principal - essa também em decadência. Chegando esse dia, amigos, vocês contarão apenas com o socorro do Estado – em forma de aposentadoria -, já que “bicos” não garantem direitos trabalhistas. Então eu pergunto: será que valerá à pena? Será que vocês terão condições, depois de uma vida de trabalho, de se aposentar com esse salário? Vocês estarão sendo justos consigo mesmo? E se acontecer algum acidente, ou alguma situação natural que lhes impeçam de exercer outras atividades, como ficará a situação de suas famílias? Será que vocês não estão sendo imediatistas demais? Será que vale à pena correr esse risco, em nome de uma situação momentânea um pouco diferente? E sua família, em algum momento você já parou para pensar no que seria dela sem você? É preciso pensar além do hoje.

Concordo inteiramente que se alguma mudança vier a acontecer, essa deve estar afirmada e respaldada em lei. Não conheço instrumento melhor de garantia de direitos do que as leis. Se alguém não acredita nelas, então fica difícil crer que estamos num estado democrático de direito. Caso contrário, regrediríamos ao estado de natureza hobessiano, onde as pessoas seriam donas apenas daquilo que elas conseguissem manter através da força. Ou seja, nenhum contrato social estaria em voga. E isso é um absurdo que eu, sinceramente, me recuso a discutir, tanto pela fragilidade da argumentação quanto pela impossibilidade de sua re-existência.

Bem, estamos no começo dos debates. Ainda nos confrontamos de forma um tanto quanto imatura, mas suficiente para mantermos um diálogo. Avançaremos com o tempo e com a vontade de chegarmos a um entendimento coletivo capaz de satisfazer os anseios da categoria. Devemos lembrar, sempre, de que para se criar um futuro é preciso se fazer um acerto de conta com o passado.

Não possuo, ainda, uma posição definitiva sobre o tema. Creio que a maioria também não. Portanto, CONVENÇAM-ME!!!!! DEIXEM-SE CONVENCER, se isso realmente for necessário. Não importa vencer ou ser vencido, se o resultado for o melhor para todos. E é sempre bom não esquecer que ainda estamos discutindo POSSIBILIDADES.

Robson Aquino
Agente de Segurança Penitenciária

Um comentário:

  1. Asp Nelson Petrônio5 de agosto de 2009 08:33

    Dentre todos os argumentos gostaria que outros fossem postos, pois só consigo visualizar os pontos de vista e argumentos do presidente Nivaldo, por quê sera?

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